Editorial

Análise, dados e contexto

Matérias longas sobre o que move o Brasil — pesquisa checada, fontes citadas, leitura sem pressa.

Matérias recentes

Balcão de mármore branco e preto de uma cafeteria moderna, com cardápio iluminado exibindo diferentes tipos de café e bebidas.
Economia

Por que o produtor vende matéria-prima e o consumidor compra significado

A distância entre o preço da saca e o preço da xícara não é acidente nem maldade. É o resultado de três máquinas operando ao mesmo tempo: uma que forma preço de commodity, outra que distribui poder de barganha na cadeia e uma terceira que fabrica significado — e só a última tem margem, porque só ela não é substituível.

Sip Dölyn Editorial25 de set. de 202615 min de leitura
Grãos de café sendo separados em tanques de água com estrutura metálica verde e amarela em instalação industrial.
Economia

Da saca à prateleira: quem captura o valor quando a matéria-prima vira marca

O grão é o mesmo nas duas pontas da cadeia, o preço não é. A diferença não se explica por frete, imposto ou margem de varejo: ela remunera quem controla o elo estreito da cadeia e quem é dono do significado que o produto carrega. Duas apropriações distintas — e uma pergunta prática sobre como se sai do lado errado dela.

Sip Dölyn Editorial19 de set. de 202614 min de leitura
Mão de um trabalhador colhendo grãos de café vermelhos e verdes diretamente do pé, em close-up.
Economia

O que a fronteira acrescenta a um produto que ele não conseguia ter em casa

O mesmo café que vale pouco na porteira vira item de vitrine em outra moeda. Três mecanismos diferentes explicam a diferença — e eles têm donos diferentes. É por isso que o ganho da travessia raramente volta para quem produziu.

Sip Dölyn Editorial19 de set. de 202614 min de leitura
Fotografia em preto e branco de uma draga de mineração de ouro flutuando em um lago cercado por floresta, Idaho, 1943.
Fundamentos

Se ouro fosse riqueza, a Espanha teria sido o país mais rico da história

Petróleo, minério e terra fértil convivem com pobreza em boa parte do mundo. A explicação não está no subsolo, mas no que acontece com a renda depois que ela sai dele: quem pode se apropriar dela, o que ela compra e se existe economia interna capaz de absorvê-la.

Sip Dölyn Editorial19 de set. de 202615 min de leitura
Interior de oficina de couro com bolsas artesanais expostas sobre uma bancada de madeira, diante de um letreiro luminoso com o nome 'Portland Leather Goods'.
Fundamentos

Por que uma coisa é "sofisticada" e outra igual é "comum"

Dois produtos com a mesma função, a mesma matéria-prima e custo parecido seguem destinos simbólicos opostos. A resposta não está no objeto: está numa cadeia de instâncias — classes, impérios, países, marcas e empresas — que emitem o veredito e depois o fazem parecer natural. Um percurso por Bourdieu, Pomeranz, Said, Fanon, Nye, Porter e Holt.

Sip Dölyn Editorial18 de set. de 202617 min de leitura
Vitrine de vidro em galeria de museu exibindo dezenas de peças de cerâmica e louça organizadas em prateleiras iluminadas.
Fundamentos

Quem decide o que é chique: a engenharia social do bom gosto

Um mesmo objeto pode ser refinado numa estante e ordinário na estante ao lado. Bourdieu, Holt, Pomeranz, Said, Fanon, Nye e Caio Prado descrevem, cada um de seu ângulo, o maquinário que transforma diferença de gosto em hierarquia — e mostram que a pergunta "isto é sofisticado?" nunca é sobre o objeto.

Sip Dölyn Editorial17 de set. de 202616 min de leitura
Braços robóticos industriais alaranjados operando sobre uma esteira de paletização numa fábrica
Economia

O Brasil ganhou a corrida do lingotamento. E não está na corrida seguinte

Em 1990 o Brasil lingotava 58% do seu aço de forma contínua, contra 96% da Coreia do Sul. Hoje lingota 99,6% — acima da Coreia. A defasagem fechou e inverteu. Mas quando se procura o Brasil na tabela da tecnologia que define a fronteira industrial de agora, acontece uma coisa diferente de estar atrás: ele não está na tabela.

Sip Dölyn Editorial28 de ago. de 20264 min de leitura
Imagem de satélite de Alto Taquari, no sudeste do Mato Grosso, com lotes agrícolas geométricos em tons de verde e laranja recortados sobre as chapadas do cerrado
Economia

O colchão voltou — e a indústria não está mais embaixo dele

Em 2025 o Brasil exportou o recorde de US$ 348,7 bilhões, com volumes recordes de minério, soja e petróleo ao mesmo tempo. No mesmo país, a indústria de transformação responde por menos de 11% do PIB. Uma tese da LSE explicou como a riqueza do solo financiava a fábrica brasileira. Esta investigação pergunta o que aconteceu com o encanamento entre as duas.

Sip Dölyn Editorial27 de ago. de 20265 min de leitura
Entregador de aplicativo em alta velocidade sobre uma motocicleta, com a mochila térmica nas costas, numa rua brasileira
Economia

A proteção que não alcança quem mais precisa

Quando a Coreia do Sul democratizou e criou proteção trabalhista, em 1988, ela desenhou uma porta: só empresas com mais de dez empregados. Quem estava abaixo ficou fora. O Brasil tem uma porta equivalente — só que ela não mede o tamanho da empresa. Mede o nome do vínculo. E 38,5 milhões de pessoas estão do lado de fora dela.

Sip Dölyn Editorial25 de ago. de 20264 min de leitura

Fundamentos

Conhecimento acadêmico, científico e intelectual complexo transformado em leitura acessível.

Ver todas (16) →

Agronegócio

Ver todas (6) →

Explore por assunto

17 matérias · 3 assuntos